Reforma Tributária 2027: IBS e CBS no DAS ou "por fora"? Qual a melhor opção para sua empresa do Simples Nacional
A partir de janeiro de 2027, empresas do Simples Nacional precisam escolher entre manter IBS e CBS dentro do DAS ou migrar para o Simples Híbrido. Entenda com exemplos práticos qual caminho faz mais sentido para o seu negócio.
A Reforma chegou ao caixa das pequenas empresas
A Reforma Tributária saiu do papel e chegou ao caixa das pequenas empresas. A partir de janeiro de 2027, quem está no Simples Nacional precisa tomar uma decisão que pode mexer direto na sua competitividade: continuar pagando o IBS e a CBS dentro do DAS ou migrar para o chamado Simples Híbrido, recolhendo esses dois tributos "por fora", no regime regular.
Parece detalhe técnico, mas não é. Para algumas empresas, a escolha certa significa vender mais e ganhar clientes grandes. Para outras, a escolha errada significa pagar mais imposto e enfrentar mais burocracia sem nenhum retorno. Neste artigo você entende, com exemplos práticos de loja de roupas, restaurante, bar, transportes e entregas e consultoria, qual caminho faz mais sentido e por quê.
O que são IBS e CBS, em poucas palavras
A Reforma Tributária do Consumo substitui cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por um modelo de IVA dual:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): tributo federal, que substitui PIS e Cofins e entra em vigor de forma plena já em 2027.
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): tributo de estados e municípios, que vai substituir ICMS e ISS de forma gradual até 2033.
A grande novidade é a não cumulatividade plena: quem compra de uma empresa no regime regular pode abater, como crédito, o IBS e a CBS que vieram embutidos na compra.
As duas opções do Simples Nacional
Opção 1 - IBS e CBS dentro do DAS (Simples "puro"): tudo continua numa guia única, com a mesma praticidade de hoje. O porém: o cliente que compra de você só pode tomar como crédito o valor de IBS e CBS efetivamente pago dentro do DAS, que é bem menor do que o crédito gerado por uma empresa do regime regular.
Opção 2 - Simples Híbrido (IBS e CBS "por fora"): a empresa continua no Simples para IRPJ, CSLL, contribuição previdenciária e demais tributos, mas apura IBS e CBS separadamente, no sistema de débito e crédito. Assim, ela gera crédito integral para os clientes e também aproveita créditos das suas próprias compras. Em troca, paga a alíquota cheia desses tributos e assume uma rotina fiscal mais complexa.
Exemplo rápido do impacto no cliente
Números hipotéticos, apenas para ilustrar a lógica. Imagine uma venda de R$ 10.000 para uma empresa do regime regular:
| Cenário | IBS + CBS | Crédito do cliente |
|---|---|---|
| Fornecedor no Simples Híbrido | 9% | R$ 900 |
| Fornecedor no Simples puro | 3% no DAS | R$ 300 |
Para o cliente, comprar do primeiro fornecedor sai R$ 600 mais barato no fim da conta. É por isso que essa decisão virou assunto em toda negociação B2B.
A regra de ouro: para quem você vende?
Antes de olhar qualquer alíquota, responda a uma pergunta simples:
- Vende para consumidor final (pessoa física)? O crédito não interessa ao seu cliente, porque ele não aproveita crédito nenhum. Ficar no DAS tende a ser o melhor caminho.
- Vende para outras empresas do regime regular (Lucro Real ou Presumido)? Seus clientes vão comparar fornecedores pelo crédito que recebem. O Simples Híbrido pode ser decisivo para não perder contratos.
- Tem muitos insumos e despesas que geram crédito? O regime regular fica mais interessante, porque você compensa boa parte do que paga.
- Tem margem alta e poucos insumos? O regime regular pode pesar no bolso, porque há pouco crédito para abater.
Exemplos práticos por setor
1. Loja de roupas
Cenário: loja de moda que vende no balcão, no Instagram e pelo WhatsApp para clientes pessoa física.
Melhor decisão: manter IBS e CBS no DAS.
Por quê: a cliente final não aproveita crédito tributário. Pagar "por fora" traria alíquota cheia e mais obrigações acessórias sem nenhum ganho comercial. A praticidade da guia única continua sendo a vantagem.
Atenção: se a loja também vende no atacado para outros lojistas, vale simular. Se esses compradores estiverem no regime regular, eles vão preferir fornecedores que geram crédito integral.
2. Restaurante
Cenário: restaurante de bairro, com almoço executivo, delivery por aplicativo e jantar no fim de semana.
Melhor decisão: manter IBS e CBS no DAS.
Por quê: praticamente todo o faturamento vem de consumidor final. Além disso, bares e restaurantes têm um regime específico na nova legislação, com regras próprias. Para a maioria dos pequenos negócios do setor, sair do DAS só aumentaria a complexidade.
Atenção: se o restaurante fornece refeições corporativas (marmitas para empresas, eventos, coffee breaks), converse com o contador sobre as regras específicas do setor antes de decidir.
3. Bar
Cenário: bar com petiscos, música ao vivo e público de happy hour.
Melhor decisão: manter IBS e CBS no DAS.
Por quê: público 100% pessoa física, ticket médio baixo e alto volume de vendas. O controle de débito e crédito no regime regular traria custo operacional sem trazer vantagem nenhuma na hora de vender.
4. Transportes e entregas
Cenário A: transportadora ou empresa de entregas que atende e-commerces, indústrias e distribuidores.
Melhor decisão: avaliar seriamente o Simples Híbrido.
Por quê: os clientes são empresas que vão querer crédito integral do frete. Além disso, o setor tem gastos relevantes com combustível, manutenção, peças, pneus e veículos, que podem gerar créditos no regime regular. É o setor em que a opção "por fora" costuma fazer mais sentido.
Cenário B: transporte de passageiros ou entregas para pessoa física.
Melhor decisão: manter no DAS, pelo mesmo motivo do varejo: o consumidor final não usa crédito.
5. Consultoria
Cenário: consultoria em gestão, marketing ou TI que atende empresas médias e grandes.
Melhor decisão: depende da carteira de clientes, e aqui está o maior dilema.
Por quê: se os clientes são empresas do Lucro Real ou Presumido, eles vão valorizar (e até exigir) o crédito integral. Por outro lado, consultoria tem poucos insumos, então quase não há crédito para abater. Isso significa que a carga própria pode subir no regime regular.
Como decidir:
- Clientes grandes, regime regular e contratos recorrentes? Simule o Simples Híbrido e avalie se dá para negociar preço com o cliente.
- Clientes pessoa física ou outras empresas do Simples? Fique no DAS.
Resumo: qual a melhor opção?
| Setor | Perfil de cliente | Melhor caminho |
|---|---|---|
| Loja de roupas | Consumidor final | IBS e CBS no DAS |
| Restaurante | Consumidor final | IBS e CBS no DAS |
| Bar | Consumidor final | IBS e CBS no DAS |
| Transportes e entregas B2B | Empresas | Avaliar Simples Híbrido |
| Consultoria B2B | Empresas | Simular os dois cenários |
Prazos que você não pode perder
- Até 30 de outubro de 2026: prazo (já prorrogado) para escolher o regime regular de IBS e CBS no primeiro semestre de 2027.
- De 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026: janela para cancelar a opção, de forma irretratável, depois que a alíquota da CBS de 2027 for definida.
- Março de 2027: nova oportunidade de escolha, valendo para o segundo semestre de 2027.
- Quem não fizer nada continua com IBS e CBS dentro do DAS.
- MEI não participa dessa opção.
A escolha é semestral. Ou seja, quem errar agora pode corrigir o rumo no semestre seguinte, mas fica preso à decisão durante seis meses.
Checklist antes de decidir
- Liste seus clientes e separe pessoa física, empresas do Simples e empresas do regime regular.
- Calcule quanto do faturamento vem de clientes que aproveitam crédito.
- Levante suas principais compras e despesas que podem gerar crédito.
- Simule a carga tributária nos dois cenários junto com seu contador.
- Avalie se seu sistema de emissão de notas e sua gestão financeira estão prontos para o regime regular.
- Converse com os principais clientes B2B: eles vão exigir crédito integral?
Conclusão
Não existe resposta única na Reforma Tributária. Quem vende para o consumidor final tende a ganhar ficando no DAS, com simplicidade e previsibilidade. Quem vende para outras empresas precisa colocar a calculadora na mesa, porque o crédito de IBS e CBS virou argumento de venda.
A decisão certa começa com informação e boa gestão. Organize seus dados, simule cenários e tome a decisão com seu contador antes de cada prazo.
O TasksCont ajuda sua empresa e seu contador a acompanhar as mudanças da Reforma Tributária, manter as obrigações em dia e simular cenários antes de cada prazo.
Aviso
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um contador. As regras da Reforma Tributária estão em regulamentação e podem mudar.